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Política Internacional
e Diplomacia |
CONSELHO
DE ASSUNTOS GERAIS E RELAÇÕES
EXTERIORES
ENTREVISTA
COLETIVA DE IMPRENSA DA SECRETÁRIA
DE ESTADO FRANCESA
PARA AS RELAÇÕES EXTERIORES
E OS DIREITOS HUMANOS, RAMA YADE
Bruxelas, 13 de maio
de 2008
Pouco antes da
reunião, ficamos sabendo que
a China está aberta à
ajuda internacional. Louis Michel, o
Comissário que deu início
a esta reunião, juntamente com
a Presidência da União
[Européia], expressou a sua solidariedade
ao povo chinês, que passa por
momentos muito difíceis atualmente,
depois do terremoto.
Quanto
ao objetivo da reunião do Conselho,
a França repetiu que esses acontecimentos,
decorrentes da passagem do ciclone Nargis
– cujo número de vítimas
é conhecido oficialmente, embora
ainda sejam apenas avaliações
– são dramáticos.
A França comunicou aos seus parceiros
a sua mobilização, que
é uma mobilização
prática, material, financeira,
e que diz respeito primeiramente à
obtenção de vistos para
a ajuda humanitária. Quero lembrar
que existem seis ONGs francesas atualmente
na Birmânia, que trabalham localmente
e que, algumas delas, obtiveram o direito
de distribuir a ajuda diretamente.
Este
é um primeiro ponto: o aumento
do número de vistos para a ajuda
humanitária. Um segundo ponto,
evidentemente, é o avião
que foi fretado nos últimos dias
para transportar a ajuda. O terceiro
elemento é o Mistral, navio francês
que corresponde, por seu carregamento,
a trinta ou quarenta aviões de
ajuda alimentar, que irá partir
esta noite e, nos próximos dias,
tentará levar essa ajuda.
Como
os Senhores sabem que isso não
é fácil, porque as autoridades
birmanesas querem fazer elas mesmas
o encaminhamento dessa ajuda, sem que
se esteja certo das condições
de transparência, nem do destinatário
da ajuda. Isto não é evidente.
E, por fim, todas essas ajudas chegam
a um total de dois milhões de
euros, o que representa um aumento substancial.
A primeira ajuda de emergência
era, inicialmente, de 200 mil euros
No
âmbito da União Européia,
a Comissão disse que estava completamente
aberta para aumentar a ajuda tanto quanto
necessário, como, por exemplo,
para 17 milhões de euros. Louis
Michel comunicou a sua intenção
de ir à Birmânia após
esta reunião do Conselho. Ele
partirá para Bancoc, onde aguardará
a obtenção do visto.
A
originalidade ou especificidade da posição
francesa está em defender, como
fiz há pouco, a responsabilidade
de proteger. Esta é uma noção
que nasceu em 2005 e que foi aprovada
por consenso nas Nações
Unidas, em 2005. A idéia é
que, quando houver uma situação
catastrófica, ou os Estados envolvidos
intervêm ou a comunidade internacional
o faz. Nós defendemos a aplicação
da responsabilidade de proteger no caso
da Birmânia. Evidentemente, isto
tem que ser debatido, pois, normalmente,
ocorre no âmbito do Conselho de
Segurança. Nós defendemos
isto pelo fato de se tratar de algo
passível de defesa no âmbito
do Conselho de Segurança, porque,
quando temos 1 a 2 milhões de
vítimas, falecidos, desabrigados
ou desaparecidos, trata-se de uma questão
de garantia da segurança.
Em
seguida, coloca-se a questão
de se saber se isto aplica-se ao caso
de uma catástrofe natural, como
acontece na Birmânia. Aplica-se
no caso dos crimes de genocídio,
de guerra, dos crimes contra a humanidade.
O que acontece na Birmânia é
uma catástrofe natural. As vítimas
são vítimas de uma catástrofe
natural e a atitude da junta birmanesa
leva ao agravamento de seus crimes e,
por isso, esse princípio pode
ser aplicado.
Aguardamos
para ver se Louis Michel obtém
êxito em sua missão; já
que ele deseja ir a Rangum, e o estamos
encorajando a fazê-lo, nós
o ajudaremos ao máximo. Depois
disso, veremos a atitude da junta. Mas
estamos totalmente dispostos a fazer
com que isso seja levado até
o Conselho de Segurança, porque
trata-se de uma questão internacional.
A ASEAN vai realizar, na próxima
semana, uma reunião de ministros
das Relações Exteriores,
e também tomamos nota de seu
desejo de fazer pressão sobre
a junta birmanesa para que a ajuda chegue
até a população.
Em
suma: a ajuda é importante e
a mobilização internacional
é forte. Podemos possuir todos
os aviões, todos os navios do
mundo, mas o que importa, o que é
decisivo é que essa ajuda chegue
às populações que
são vítimas e foi esta
a questão que eu quis defender
por ocasião desta reunião.
Pergunta:
A França conta com algum apoio?
Resposta:
Nós temos o apoio da Alemanha
e do Reino Unido. Quanto aos outros
países, nem todos se manifestaram
até o momento. Mas, de qualquer
forma, existe um ponto que parece importante
e que, aliás, compartilhamos,
é que Louis Michel esteja de
acordo. Porque a idéia é
de não incomodar Louis Michel,
é preciso que a sua missão
seja bem-sucedida. Mas a Alemanha e
o Reino Unido já concordaram
com o fato de levarmos esse princípio
até as Nações Unidas.
P.:
Alguns países-membros foram contrários
a isso?
R.:
Por enquanto, não há oposição,
pois nem todos se manifestaram. A Alemanha
e o Reino Unido disseram claramente
que estavam de acordo. Para os outros,
há também a expectativa
de uma posição de Louis
Michel.
P.:
Os 27 [países-membros da U.E.]
estão enviando uma mensagem única
à junta?
R.:
Não sei se posso desvendar
algo que ainda não está
concluído, já que a reunião
está acontecendo neste momento.
De qualquer maneira, trata-se de uma
mensagem de solidariedade que é
expressa, primeiramente, às populações
birmanesas vítimas do ciclone
Nargis. Em seguida, nós defendemos
todas as iniciativas que possam ajudar
a fazer com que a ajuda seja em número
suficiente e, além disso, que
possa ser encaminhada até as
populações vítimas.
Nós defendemos, nós franceses
particularmente, que a União
Européia fosse mobilizada para
a agilização da expedição
de vistos, a fim de que estes fossem
expedidos o mais rapidamente possível.
Nós conseguimos para alguns de
nossos agentes humanitários um
aumento do número de vistos.
O Quai d’Orsay [Ministério
das Relações Exteriores
e Européias] havia convocado
o embaixador birmanês em Paris
para, justamente, pedir isso. Quanto
ao mais, não posso revelar tudo,
porque a reunião ainda está
tendo prosseguimento.
P.:
A Sra. não teme que essa atitude
provoque um pouco mais a junta birmanesa,
ao apelar para o direito de ingerência?
R.:
A comunidade internacional está
mobilizada e isto também é
uma forma de dizer: não podemos
permanecer indiferentes ao que se passa
na Birmânia, do contrário,
o que os Srs. querem que se faça?
Nada? É preciso fazer alguma
coisa. A dificuldade vem do fato de
as autoridades birmanesas acharem que
não é preciso que as associações
humanitárias ajudem as populações.
Se isso não for possível,
não vejo o quê mais possa
ser. A idéia é fazer com
que compreendam que as ONGs não
são agentes políticos,
mas são regidas pelo princípio
da neutralidade e não estão
lá para fazer política.
Nós mesmos, aliás, no
âmbito de nossa reunião,
não estávamos lá
para fazer política, mas para
promover uma ação humanitária,
para prestar socorro às vítimas
do ciclone Nargis. Quero lembrar-lhes
que o número de mortos está
oficialmente em 31 mil, mas, para outros,
vai bem mais além, sem falar
dos desaparecidos e das crianças,
que constituem um terço das populações
atingidas. Se não quisermos que
haja uma catástrofe na catástrofe
e que isso se amplifique, precisamos
encontrar uma resposta, do contrário
estaremos procedendo à não-assistência
a pessoas em perigo.
P.:
Uma reunião idêntica poderia
ser realizada na China?
R.:
Por enquanto, não existe uma
idéia estabelecida a esse respeito.
A China apelou para a ajuda humanitária
internacional, nós estamos dispostos
a ajudá-la e acabamos de saber
que a China está pronta a receber
a ajuda internacional.
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