| Edição:
um setor em transformação

De
haut en bas, et de gauche à droite
:
- Fundada por Hervé de la La Martinière
em 1992, a editora de mesmo nome ganhou notoriedade
na área dos belos livros ilustrados
(fotografias de autor e documentário,
arte, natureza, etc), principalmente com o
trabalho de Yann Arthus-Bertrand.
-
Henri Dougier, fundador em 1975 da Autrement,
editora original conhecida pelos modernos
atlas geopolíticos e pelas obras de
ciências humanas, literatura e publicações
infanto-juvenis.
-
A editora Odile Jacob publica suas obras de
divulgação científica
de referência tanto na área da
biologia, quanto na das ciências humanas.
- A edição como uma história
de família. Françoise Nyssen
e seu pai, Hubert, fundador em Arles da Actes
Sud, grande descobridor de talentos estrangeiros
e franceses.
- Christian Bourgois publicou, na França,
grandes nomes da literatura mundial do passado
e do presente, como Toni Morrison, Fernando
Pessoa, Dorothy Parker e Ben Okri.
- Os três filhos do editor de publicações
para o grande público Robert Laffont
– Laurent, Anne Carrière e Isabelle
Laffont – criaram sua própria
editora.
Movimentos
de concentração, lógica
de rentabilidade, desenvolvimento da Internet...
Qual o estado do setor francês da edição
frente ao desenvolvimento destas tendências
de fundo?
Ninguém
sabe exatamente qual o número de editores
profissionais existentes hoje na França.
Estima-se que existam 3.600 “estruturas
de edição”: associações,
instituições, ministérios,
empresas, etc. Não existe uma lei que
regulamente a edição e todo
mundo pode publicar um livro. Na realidade,
a edição comercial está
nas mãos de cerca de 300 empresas,
inscritas no Sindicato Nacional da Edição.
A
principal característica deste setor
é a extrema concentração:
dois “gigantes”, Hachette (1,7
bilhão de euros de volume de negócios
em 2005, ou seja, 50% do volume total do setor)
e Editis (780 milhões de euros em volume
de negócios em 2005); uma dezena de
“grandes” (mais de 100 milhões
de euros) como France Loisirs - que vende
por correspondência - ou as editoras
Gallimard, Flammarion, Albin Michel; finalmente
existem incontáveis “pequenos”,
até mesmo “minúsculos”,
com um volume de negócios de algumas
dezenas de milhões de euros e que muitas
vezes são responsáveis por fazer
o grande público descobrir grandes
autores.
Histórias
de família
O
que chama no entanto atenção
na edição - literária
- é o fato de ser feita por apaixonados,
traço bem comum aos setores ligados
à criação artística.
De Antoine Gallimard, herdeiro da célebre
empresa familiar, a Christian Bourgois, criador
das edições de mesmo nome, passando
pelas novas editoras Viviane Hamy, Joëlle
Losfeld, ou Liana Levi, os editores literários
são movidos pelo mesmo amor aos livros,
aos encontros com os autores e até
o desejo de fazer com que esses tesouros sejam
conhecidos. Essa paixão passa, freqüentemente,
de geração em geração:
as duas filhas de Robert Laffont, Isabelle
Laffont e Anne Carrière, criaram sua
própria editora (foi Anne Carrière
quem publicou Paulo Coelho); outras, como
Sophie Horay (Horay) ou Françoise Nyssen
(Actes Sud), continuam a tradição
paterna. Chama a atenção o número
de mulheres editoras que administram pequenas
empresas, produzindo livros de qualidade.
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Quase
todos os editores lançam coleções
de livro de bolso. No mercado desde
os anos 50, o livro de bolso representa
hoje, na França, um quarto do
total de vendas de livros. A coleção
de bolso Folio, publicada pela Gallimard.
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A Internet ameaça?
A vitalidade
da edição estaria comprometida
pelo desenvolvimento da Internet?
Se tomarmos como parâmetro somente
os números, a resposta é
não: pelo contrário,
o número de títulos
publicados anualmente está
em constante progressão desde
1990: nesse ano foram 40.000 títulos,
hoje são 68.000. O volume de
negócios global da edição
também está crescendo:
2,4 bilhões de euros em 2000,
2,8 hoje (412 milhões de exemplares
vendidos em 2000 e, 494 milhões
hoje). A tiragem média se mantém
ao redor de 9.000 exemplares.
A Internet,
ao contrário, facilita uma
gestão mais eficiente para
as livrarias (encomendas, devoluções,
etc) e dissemina a informação
sobre o livro: milhares de sites Internet
ao redor do livro floresceram na França;
revistas “on-line”, vários
blogs animados por críticos
literários (o blog de Pierre
Assouline atrai cerca de 300.000 internautas
por mês), ou por simples apaixonados
pela literatura – 6 % dos franceses
declaram ter uma atividade de escrita.
A Internet também facilita
a compra de livros “on-line”,
que hoje representa 4% das vendas
globais, que, por sinal, está
em progressão constante.
Vender ou não
vender...
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A
ameaça sobre a edição
parece vir dos fortíssimos movimentos
de concentração financeira,
que fazem a lógica da rentabilidade
alcançar este setor, e que dão
aos “grandes” meios para
a promoção que os “pequenos”
não têm. “A edição
mudou muito. Nos cargos principais encontramos
menos editores e mais administradores
(...). O objetivo de uma editora não
deveria ser o lucro e sim o equilíbrio”,
lamenta Antoine Gallimard.
Para nossa felicidade, o sucesso do
livro não pode ser programado
com antecedência: uma das melhores
vendas de 2007 deve ser a de L’Elégance
du Hérisson (A Elegância
do Porco-Espinho), segundo romance da
desconhecida Muriel Barbery (ver pp.
28-31), que já vendeu 500.000
exemplares em alguns meses, sem qualquer
promoção na mídia,
somente de boca em boca. E a bem conhecida
história de Harry Potter, cujo
primeiro volume foi recusado por várias
editoras inglesas por ter sido considerado
“invendável”...
Nadia
Khouri-Dagher
Os maiores leitores são
leitoras
Todas
as pesquisas demonstram: na
França, as mulheres lêem
mais do que os homens. Segundo
algumas pesquisas, elas são
três quartos dos leitores
de romances. Mas os ensaios
políticos ou econômicos
também são lidos
pelas mulheres, numa proporção
de 52%. Até mesmo romances
policiais, outrora privilégio
masculino, tem 52% de leitoras,
56 % para os livros de história.
Finalmente, as pesquisas mostram
que as adolescentes lêem
mais que seus colegas masculinos,
mais absorvidos pelos videogames.
N.
K.-D.
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As melhores
vendas na França: literatura,
histórias em quadrinhos
e sucessos planetários
O
livro mais vendido na França
em 2006 é... um álbum
de histórias em quadrinhos
(HQ). O volume 11 das aventuras
de Titeuf, o garotinho loiro
de cabelo engraçado e
artífice de bobagens
engraçadíssimas.
Meus Melhores Companheiros,
do suíço Zep,
vendeu 570.000 exemplares. O
quadro do conjunto das melhores
vendas para 2006, publicado
pela revista Livres Hebdo, revela
as tendências que animam
o mercado editorial francês.
Em segundo lugar está
o Código Da Vinci, do
americano Dan Brown (476.000
exemplares), best-seller mundial.
Se somarmos o seu romance Ponto
de Impacto (352.000 exemplares),
Dan Brown é, com um total
de 829.000 exemplares, o autor
mais vendido na França
em 2006. Sinal de uma globalização
que alcança também
o mercado editorial, tanto na
França quanto fora dela.
Aliás, o livro mais vendido
em 2005 foi o sexto volume de
Harry Potter, pela editora Gallimard.
De modo geral, as traduções
representam 14% da produção
editorial francesa, principalmente
do inglês: três
de cada quatro romances são
traduzidos desta língua.
Entre os estrangeiros mais lidos
na França, estão
os autores americanos Mary Higgins
Clark, Patricia Cornwell e Stephen
King. Há também
autores de outras áreas
culturais: o brasileiro Paulo
Coelho, a argelina Yasmina Khadra
(que escreveu em francês
As Sirenas de Bagdá,
editora Julliard), ou o egípcio
Alaa el Aswany (O Edifício
Yacoubian, ed. Actes Sud), tiveram
muito sucesso na França.
“Uma das especificidades
francesas é que aqui
traduzimos bem mais títulos
estrangeiros do que nos países
anglo-saxões”,
como destaca Franck Nouchi,
que até há pouco
era o redator chefe do suplemento
literário do jornal Le
Monde.
O Prêmio Goncourt 2006,
Les Bienveillantes (As Benevolentes),
romance do escritor francês
de origem americana Jonathan
Littell, ocupa o terceiro lugar
(395.000 exemplares). Os prêmios
Goncourt e Renaudot garantem
sempre recordes de vendas. Marc
Lévy, autor de histórias
que agradam principalmente ao
público feminino, é,
depois de Dan Brown, o autor
mais vendido na França,
com 660.000 exemplares vendidos
de seus dois romances Reexaminá-los
e Mes Amis, Mes Amours (Meus
Amigos, Meus Amores). Numa perspectiva
mais abrangente, notamos que
entre as 30 melhores vendas
do ano (mais de 160.000 exemplares
cada), encontramos principalmente
romances (27) e um único
ensaio: é uma prova de
que a literatura na França
vai muito bem, obrigado.
O cinema às vezes faz
estourar a venda de um livro.
Entre as melhores vendas de
2006, encontramos autores que
foram adaptados nesse mesmo
ano: Harlan Coben (Não
Digas a Ninguém), Lauren
Weisberger (O Diabo Veste Prada),
Marc Levy (E Se Fosse Verdade?),
Clive Staple Lewis (Narnia).
Distribuição
das vendas por categorias editoriais
Literatura:
19,98%
Infanto-juvenil:
17,3 %
Livro
escolar: 14,2 %
Dicionários
e enciclopédias: 12,3
%
Histórias
em quadrinhos: 11 %
Livros
de arte e livros práticos:
9,8 %
Ciências
humanas e sociais: 4,2 %
Mapas
geográficos, atlas: 3,6
%
Documentos,
atualidades, ensaios: 3,2 %
Ciências,
técnicas, medicina, administração:
2,9 %
Religião
e esoterismo: 1,3 %
Obras
de documentação:
0,2%
Fonte:
L’Edition, dados de 2006,
Sindicato Nacional do Livro.
Os dez autores
mais lidos na França
em 2006*
| Marc Levy (romance)
|
1 320 000 exemplares |
| Anna Gavalda (romance,
Juntos,
só isso, eu a amava)
|
715 000 |
| Guillaume Musso (romance,
Salve-me, E Depois)
|
609 000 |
| Jonathan Littell (romance)
|
476 000 |
| Fred Vargas (policial,
Nos bosques eternos) |
250 000 |
| Franz-Olivier Giesbert
(ensaio político,
A tragédia do Presidente)
|
239 000 |
| Laurent Gerra et Achdé
(HQ,As
aventuras de Lucky Luke)
|
232 000 |
| A conjugação
para todos (coletivo,
gramática) |
185 000 |
| Benoîte Groult (roman,
A Tecla Estrela) |
170 000 |
| Sempé (infanto-juvenil,
Le Petit
Nicolas) |
169 000 |
*
Para um ou mais títulos
por autor
Fonte:
Livres Hebdo, janeiro de 2007.
Os
dez autores estrangeiros mais
lidos na França em 2006,
em número de exemplares,
para um ou mais títulos
por autor
| Dan Brown (Estados Unidos)
|
828 000 |
| Zep (Suiça) |
570 000 |
| Harlan Coben (Estados
Unidos) |
399 000 |
| Christopher Paolini
(Estados Unidos, Eragon)
|
342 000 |
| Mary Higgins Clark (Estados
Unidos) |
341 000 |
| Lauren Weisberger (Estados
Unidos) |
296 000 |
| Clive Staple Lewis (Irlanda)
|
225 000 |
| Stephen Vizinczey (Hungria,
Em louvor das mulheres
maduras) |
220 000 |
| Patrick Süskind (Alemanha,
O perfume) |
192 000 |
| Patricia Cornwell (Estados
Unidos) |
172 000 |
Fonte:
Livres Hebdo, janeiro de 2007.
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