Ministério das Relações Exteriores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Editores e coleções míticas

Os editores são aqueles que correm riscos e os defensores de idéias. Dos maiores aos menores, eles dão vida à atividade intelectual e literária francesa - e mundial - por meio das traduções.

O mais prestigiado, Gaston Gallimard, assumiu, no início do século XX, a lendária NRF (Nova Revista Francesa), que fora fundada alguns anos antes por um grupo de intelectuais do grupo de André Gide, que defendia um novo classicismo. A Gallimard publicou Claudel, Malraux, Camus, Sartre, Beauvoir, Yourcenar e Sarraute, além de García Lorca, Fitzgerald, Tanizaki e Pavese. Deve-se a ele a coleção “A Biblioteca da Plêiade”, criada no início dos anos 30, que conta hoje com cerca de 500 obras-primas da literatura universal, “La Blanche”, coleção literária de prestígio, e a primeira coleção de policiais, a “Série Noire”.

Com a mesma idade de Gaston Gallimard, Bernard Grasset, que ficou célebre por seus “4 M” – Maurois, Mauriac, Montherlant e Morand –,

foi o primeiro editor de Proust, que acabava de ter seu manuscrito recusado pela NRF, e publicou, além de Proust, Cendrars, Cocteau e Giono.

Ele inovou ao impor as primeiras grandes tiragens (10.000 exemplares no lugar de 2.000) e ao instaurar a publicidade literária e o envio de exemplares para a imprensa.

A Albin Michel inventou o livro de bolso, vendendo desde 1903 pequenos livros a preço baixo. Teve grande sucesso de vendas com Romain Rolland, Henri Barbusse e Pierre Benoit. Abriu espaço para a literatura estrangeira nos anos 20 e permitiu que os franceses descobrissem Kipling, Tagore, Conan Doyle e Emily Brontë.


O cobiçadíssimo prêmio Renaudot foi atribuído em 2007 a Daniel Pennac, pelo livro Chagrin d’Ecole (Mal de Escola), narrativa autobiográfica em que o ex-professor de francês rememora seu passado de mau aluno, publicada na coleção “branca” da Gallimard.

Fundadas em 1941 sob a ocupação nazista, as Éditions de Minuit, reuniram a princípio, clandestinamente, os escritores da Resistência. Deve-se a eles, em seguida, a publicação de um bom número de autores do movimento que mais tarde ficou conhecido como o “Novo Romance”, nos anos 50 (Duras, Robbe-Grillet, Simon, etc), além de Beckett.

Le Seuil, criada em 1935 sob a égide de um duplo compromisso, intelectual e católico, participou dos debates de idéias no pós-guerra, sobretudo com relação à modernização da Igreja e a descolonização, editando Teilhard de Chardin, Soljenitsyne e o Pequeno Livro Vermelho de Mao. Editora fundamental para as ciências sociais, deve-se a ela a coleção “A Cor das Idéias” e a publicação de Bourdieu e Barthes.

Menores, centenas de editoras publicaram pela primeira vez autores que se tornaram posteriormente famosos, como Christian Bourgois, que trouxe à cena francesa a beat generation, graças a Kerouac, e publicou, quando ninguém os conhecia, Rushdie e Tolkien. Da mesma maneira, a Actes Sud revelou Nina Berberova para o mundo e traduziu Paul Auster em francês.

Uma dezena de editoras especializa-se em alguma área. Sindbad, por exemplo, traduz os maiores escritores e pensadores árabes; Picquier publica a literatura do Extremo Oriente e Plon, cuja coleção “Terra Humana” publica o melhor em etnologia mundial e é bastante traduzida em várias línguas.

Por fim, editores pouco conhecidos estão na origem de livros famosos no mundo todo, como Horay e o famosíssimo Vou Ser Mãe, de Laurence Pernoud, best-seller mundial há meio século, tendo vendido alguns milhões de exemplares em 70 países.

Nadia Khoury-Dagher