| As
bibliotecas públicas estão atualizadas

As
quatro torres-livro da Biblioteca Nacional
da França, no décimo-segundo
distrito de Paris, recebe o grande público,
estudantes e pesquisadores franceses e estrangeiros.
Detentoras
de um patrimônio excepcional e com a
missão de valorizá-lo, as bibliotecas
públicas atraem cada vez mais gente.
Esses centros de acesso ao conhecimento, que
hoje têm uma missão educativa,
cultural e social essencial, souberam conquistar
um público novo, diversificando seu
acervo e dinamizando seus espaços.
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As
3.000 bibliotecas públicas municipais
francesas são lugares de estudo,
de acesso à cultura e de intercâmbio
muito freqüentados. |
Seriam os franceses
"ratos de biblioteca"? Tudo
leva a crer que sim. Uma pesquisa
do Crédoc
(1) mostra que a biblioteca,
depois do cinema, é o centro
de cultura mais freqüentado pelos
franceses. Isso se deve, em grande
parte, ao encorajamento e apoio do
Ministério da Cultura e da
Comunicação, pois ele
favoreceu, desde o início dos
anos 80, "uma ampliação
muito significativa dos circuitos
de leitura pública", como
foi constatado pelo Crédoc.
As bibliotecas
municipais têm um papel protagonista
no seio destes circuitos. São
aproximadamente 3.000 e dependem da
administração das comunas,
atendendo cerca de dois terços
da população graças
a seus 35.000 funcionários.
Elas apresentam variadas coleções.
As mais antigas foram criadas a partir
das bibliotecas confiscadas por ocasião
da revolução de 1789
e sua missão é conservar
e valorizar o acervo, freqüentemente
muito valioso (livros antigos, raros,
etc), e também desenvolver
a leitura pública, com um projeto
de democratização cultural.
Com o intuito de
ampliar seu público e até
mesmo de atrair pessoas muito distantes
da leitura, elas foram extensamente
modernizadas (novas concepções
do espaço, transformação
em midiatecas, informatização
e acesso à Internet, etc) e
se lançaram em ações
inéditas: oficinas de escrita,
exposições, debates,
manifestações literárias,
projeção de filmes,
espetáculos... A tal ponto
que são "hoje consideradas
como um local fundamental de integração
social e de aprendizado da cidadania
que oferece acesso à informação,
à cultura, à formação
e ao lazer a todos os públicos",
como é resumido pelo Centro
Nacional do Livro (CNL) em Le Livre
en France(2)
(O Livro na França). As bibliotecas
também apóiam uma atividade
de estímulo à criação,
comprando e enriquecendo seu acervo
com obras de artistas menos conhecidos.
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Uma rede bem tecida
Além
dessas estruturas, existem 97 bibliotecas
departamentais de empréstimo
(BDP), que foram fundadas em 1947
pelo Estado com a finalidade de alcançar
zonas rurais mais isoladas e que hoje
atingem 75% dos habitantes. Para chegar
a este resultado, as BDPs recorreram
aos biblio- ônibus³. Elas
também são animadoras
culturais, apoiando os atores locais
com o desejo de facilitar o acesso
aos livros, CDs, DVDs, etc. Organizam
acervos nas escolas, prisões,
casas de repouso para favorecer o
acesso à leitura do maior número
de pessoas e de um modo mais amplo
ao conhecimento.
Lançado
em 1992, um novo programa veio para
complementar esta rede: a criação
de bibliotecas com vocação
regional, pensadas como "grandes
centros municipais, com o objetivo
de serem pontos de equilíbrio
em relação à
biblioteca nacional da França
(BNF) e atores privilegiados da cooperação
regional", segundo o CNL. Este
programa implantou 12 grandes locais
de leitura pública nas regiões,
em cidades importantes como La Rochelle,
Montpellier, Reims, Rennes e Toulouse.
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Nos
últimos anos, buscando ampliar
seu público, as bibliotecas públicas
passaram por uma grande modernização,
transformando-se em verdadeiras midiatecas
informatizadas. |
Centros
culturais familiares
A
evolução das bibliotecas
públicas foi tamanha, que sua
freqüência duplicou desde
1989. Os modos de utilização
também mudaram. "Além
de sua função primeira,
o empréstimo, as bibliotecas
tornam-se cada vez mais locais de leitura
dos livros [...], e da imprensa",
observa o Crédoc, que continua
"eles são também
locais de estudo para alunos do ensino
médio e superior". Este
organismo observa também que
a midiateca municipal possui agora "a
imagem de um local cultural familiar,
na proximidade imediata do local de
residência ", e não
é mais somente um lugar onde
se buscar livros emprestados. Se o esforço
de modernização "continuar
no mesmo ritmo, completa, a freqüência
regular pode vir a chegar a 50% da população
até o ano 2010".
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A questão
do livro desmaterializado
Mais
uma lição tirada da pesquisa:
os usuários da Internet não
evitam as bibliotecas. Muito pelo contrário,
"São 45% os franceses que
se definem como grandes usuários
da Internet e que freqüentam as
bibliotecas municipais, contra 35% da
média dos franceses." No
entanto, ainda segundo o Crédoc,
a maior mudança ainda está
por vir: o livro desmaterializado, que
os bibliotecários terão
de saber acompanhar. O que está
em jogo, segundo Sophie Barluet, autora
de um relatório sobre o livro
em junho de 20074 é conseguir
"não considerar o meio digital
como um obstáculo que transportaria
o leitor, aos poucos, para um mundo
virtual, anulando, dessa forma, qualquer
interesse pela materialidade do livro,
mas considerá-lo como um trunfo
para melhor fazer com que se conheça
a riqueza e o interesse desse patrimônio".
Florence
Raynal
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Para saber mais:
• Escola Nacional
Superior das Ciências da Informação
e das Bibliotecas (Enssib):
• Associação
dos Bibliotecários Franceses
(ABF):
• Federação
Francesa para a Cooperação
das Bibliotecas, das Profissões
do Livro e da Documentação
(FFCB):
• Biblioteca
Nacional da França (BNF):
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(1).
Centro de pesquisas para o estudo e a observação
das condições de vida:
(2).
Pode ser baixado em:
(3).
Trata-se de pequenos veículos/biblioteca
ou midiatecas ambulantes que circulam pelo
campo obedecendo a circuitos pré-fixados
e oferecendo um serviço de empréstimo.
Algumas coletividades também desenvolveram
esse sistema para chegar aos habitantes de
certos bairros.
(4).
Pode ser baixado em ,
ver o artigo sobre o Centro Nacional do Livro.
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