| Insee:
decifrador da sociedade francesa

Fazer
com que os números falem para tornar
mais claro o debate econômico e social,
ajudando na tomada de decisões. Esta
é a vocação do Instituto
Nacional de Estatística e Estudos Econômicos
(Insee) que providencia a coleta, produção,
análise e edição de grande
quantidade de trabalhos, dados e índices.
“Todos
os cidadãos devem ter acesso a informações
estatísticas imparciais e objetivas.
Elas constituem a base comum de conhecimentos
dos responsáveis pelo debate público
e são os elementos necessários
para a tomada de decisão”. É
com esta filosofia que o Insee fornece um
grande painel de dados numéricos, assegurando
a coerência das estatísticas
fornecidas pela administração
que formam o sistema estatístico público,
um papel que a Direção Geral
do Ministério da Economia, das Finanças
e do Emprego desempenha desde a sua criação,
em 1946.

O
instituto produz indicadores da economia
francesa, como a evolução
do preço do aluguel ou o custo
da construção, que favorecem
uma melhor resposta do poder público
e dos atores econômicos e sociais. |
Chaves para a ação
Ao longo do tempo,
a organização do Insee,
cujo orçamento em 2006 foi
de 436 milhões de euros(1),
evoluiu naturalmente. Suas missões
foram reforçadas e diversificadas;
sua independência se afirmou(2)
e sua abertura para o exterior se
desenvolveu. Seus instrumentos se
afinaram, tornando os resultados mais
precisos e adaptando sua intervenção
às necessidades de seus usuários.
O censo é
um belo exemplo disso. Desde 2004,
graças a um novo método,
o Insee faz todos os anos –
e não mais a cada 7 ou 9 anos
– esse trabalho indispensável
para recensear a população,
descrever suas características
sócio-demográficas e
sua evolução, bem como
conhecer o estado da moradia na França.
Dessa forma, ele oferece uma visão
mais dinâmica e em acordo com
a realidade francesa. Esses resultados
podem, por exemplo, fornecer elementos
valiosos aos poderes públicos
para a previsão de equipamentos
(escolas, creches, hospitais, etc),
fornecer índices sobre a mão
de obra local para as empresas que
tenham projetos de instalação,
permitir que as associações
ajustem melhor sua ação,
etc.
Além da
gestão de vários cadastros,
tais como as listas eleitorais, o
Insee – e seus 6.400 funcionários
espalhados pelo país –
produz um amplo conjunto de indicadores
econômicos para medir a evolução
dos preços ao consumidor, dos
aluguéis, dos custos da construção,
do crescimento, da movimentação
da mão de obra, além
de traçar as contas da Nação.
Ele também executa pesquisas
nos lares ou empresas, utiliza e explora
documentos produzidos por outras administrações
públicas. Em qualquer desses
casos, os dados individuais são
confidenciais fazendo parte do segredo
estatístico, regulamentado
por uma lei de 1951.
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Competência
reconhecida
O
Instituto realiza estudos a respeito
da sociedade francesa (demografia, emprego
e desemprego, educação
e formação, condições
de vida, etc), como também da
economia mundial (conjuntura, análise
por setores de atividade, comportamento
das empresas, etc) e faz previsões
sobre sua evolução a curtíssimo
prazo. São dados que, uma vez
mais, podem favorecer a reatividade
dos poderes públicos e de outros
atores econômicos e sociais.
Paralelamente, o Insee desenvolveu uma
importante atividade de pesquisa –
centrada principalmente na modelização
econômica e na metodologia estatística
– e de ensino. Ele forma especialistas
dessas disciplinas por meio do Grupo
das Escolas Nacionais de Economia e
Estatística (Genes)(3).
Enfim, o Instituto contribui para a
criação de um espaço
estatístico comunitária
da União Européia (regulamentação,
produção de dados, etc)
e para os trabalhos das grandes organizações
internacionais (Fundo Monetário
Internacional, ou FMI, Organização
das Nações Unidas, ou
ONU, ou Organização de
Cooperação e de Desenvolvimento
Econômicos, ou OCDE). Organizações
estas que reconhecem o grande alcance
de sua competência.
Florence Raynal
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Condições
de vida, moradia, saúde, comportamentos
demográficos: os lares estão
no centro das pesquisas estatísticas
do INSEE.
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Estatísticas para todos
Com a preocupação
de divulgar amplamente seus trabalhos,
o Insee põe o conjunto da informação
econômica e social oriunda de
sua atividade à disposição
de todos, além de dados estatísticos
provenientes de outros órgãos
públicos. Grande parte de seus
resultados, sondagens, estudos e publicações
pode ser consultada e/ou carregada
gratuitamente em: .
Um boletim eletrônico de informações:
Insee.net actualités, permite
que se acompanhem as novidades desse
site muito rico. O Instituto também
edita um conjunto de livros, revistas
e CD-ROMs.
Contato:
(33-1) 41 17 50 50.
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Cooperação:
“Ajudar na produção de
estatísticas confiáveis”
Entrevista
com Philippe Cunéo, responsável
pela Direção de Coordenação
Estatística e de Relações
Internacionais do Insee.
Que forma
tem a cooperação técnica
internacional no Insee?
Nossa intervenção
se dá no contexto da estatística
pública e dos acordos bilaterais ou
multilaterais, sob a égide de organizações
internacionais, como o Eurostat ou as Nações
Unidas. Agimos prioritariamente nos países
de adesão recente à União
Européia ou em pleno processo de adesão,
nos países do entorno mediterrâneo,
da África, ou ainda por meio de parcerias
privilegiadas na Rússia, na Ucrânia,
na América Latina e no Vietnã.
Notadamente com a Afristat, um observatório
que reúne 19 países da África
Subsaariana e coordenando a cooperação
técnica em matéria de estatísticas,
trabalhamos para que seja organizado um programa
favorecendo a produção das principais
estatísticas das contas nacionais,
de balança de pagamentos, de avaliação
da pobreza e de operações relativas
à saúde, à educação,
etc, na África francófona.
Essa cooperação
é feita com que espírito?
No passado,
tínhamos muitos correspondentes nos
países francófonos. Hoje, julgamos
mais eficiente desenvolver nos próprios
países ações de formação
de agentes nacionais ou ter uma filial local
para formar os países e ajudá-los
no desenvolvimento dos programas de produção
de estatísticas públicas. Por
outro lado, o Insee tem a particularidade,
no que se distingue das outras instituições
mundiais, de possuir uma escola onde forma
seus quadros. Esse fato permitiu apoiar a
criação de escolas na África.
Ajudar esses países a chegar a um nível
satisfatório no que tange as estatísticas
públicas é indispensável,
tanto para poder pilotar o próprio
desenvolvimento, quanto para garantir-lhes
a ajuda internacional. O FMI e o Banco Mundial,
por exemplo, necessitam ter à sua disposição
indicadores conhecidos e comparáveis
em vários campos, ter uma idéia
da inflação, da estrutura do
consumo local, de índices de preço
corretos, etc.
Como e por
que o Insee é diferente? Existe uma
especificidade francesa?
A
França é conhecida pela qualidade
de seus especialistas em estatística,
bem como pela eficiência de sua ajuda
técnica. No Insee, também temos
a singularidade de sermos ao mesmo tempo estatísticos,
economistas e até mesmo sociólogos.
Nossa tendência é encorajar uma
perspectiva pluridisciplinar para os estatísticos
estrangeiros, pois esta é uma boa maneira
de olhar sua produção, estabelecer
uma primeira análise crítica
e poder aconselhar eventuais usuários
desses dados.
Enfim,
diferenciamo-nos pela preocupação
em acompanhar certos projetos ao longo do
tempo. Um sistema estatístico não
pode ser realizado em dois ou três anos,
duração freqüente dos programas
multilaterais. Nossos acordos bilaterais permitem-nos
ir mais longe. Continuamos, por exemplo, fazendo
o acompanhamento do Marrocos e da Tunísia,
onde nossa intervenção já
é antiga nos programas que hoje já
alcançaram um bom nível.
Entrevista
realizada por Florence Raynal
(1).
Aos quais devemos acrescentar
25 milhões de euros de recursos próprios
(comercialização de seus produtos).
(2).
A independência do Insee, que não
existe formalmente no direito, poderia muito
em breve ser debatida com a finalidade de
se estabelecer um quadro legislativo.
(3).
Entre elas, a Escola Nacional de Estatística
e Administração Econômica
e a Escola Nacional de Estatística
e Análise da Informação.
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