Ministério das Relações Exteriores

Anselm Kiefer, do desastre à celebração da criação

 

Em 2007, o museu do Grand Palais, em Paris, inaugurou "Monumenta", uma exposição que acolhe sob sua enorme cobertura de vidro, obras de enormes dimensões. O artista convidado para a primeira edição foi o alemão Anselm Kiefer, habituado aos grandes formatos. Na nave, que data de 1900, ele expressou sua genialidade com relação ao espaço com edifícios de concreto em ruínas, grandiosos e comoventes, e “casas” com muros cinzentos ondulados que abrigam suas pinturas – por entre as quais a coreógrafa norte-americana Carolyn Carson dançou, uma noite.

Nascido em 1945 em Bade-Wurtemberg, na Alemanha, Anselm Kiefer, formado notadamente ao lado de Joseph Beuys (1), é um grande nome da arte contemporânea desse país. Ele partiu de uma interrogação a respeito da arte após o Holocausto: “Mergulhei na História e busquei material nos mitos a fim de expressar minha emoção”, afirma, explorando também textos sagrados (Cabala, Antigo Testamento). Muito culto, grande viajante, ele combina pintura, fotografia, poesia livros e esculturas com uma profícua produção às vezes bem próxima da land art (2).

Desde que se mudou para Barjac, no Gard (sul da França), em 1994, sua obra explora o cosmos e a natureza. “Gosto muito das flores, confessa, cultivo grande quantidade delas, pois para mim são o próprio símbolo da transformação, passando da semente até eclodirem para, em seguida, morrerem.”

Mônica Valby, jornalista

(1). Artista alemão de primeira grandeza (1921-1986).

(2). Forma de arte que surgiu nos anos 60, cujas obras, realizadas ao ar livre com materiais naturais, são submetidas ao olhar de todos e sofrem os efeitos da erosão.