Ministério das Relações Exteriores

Manual da fotografia ruim

Intervenção sobre a imagem.
Objeto passando no campo.

Colocar-se num lugar bastante freqüentado e disparar o obturador sobre um objeto qualquer de maneira a ver surgir na imagem um objeto inesperado. Encontraremos sempre alguém que passará no momento exato. Seja paciente, principalmente nos feriados. Aqui, em exteriores.


Fora de foco.
Fora de foco no objeto principal.

Colocar o foco bem além do sujeito da foto ou então deixar agir o foco automático dos aparelhos que possuem este recurso, ou então fotografar o objeto além dos limites mínimos do foco. Não se esquecer de disparar o flash de maneira a conseguir uma superexposição do primeiro plano.


Os casos particulares.
A fotografia queimada.

Uma entrada luminosa parasita o filme. Para conseguir este tipo de imagem temos duas possibilidades: 1 - abrir rapidamente o aparelho e tornar a fechá-lo (o perigo é queimar mais de uma) 2- Quando o filme estiver terminado, tirar da máquina em pleno sol e colocar sob uma luz bem forte.


O personagem.
A foto-ausência.

Tirar de vez em quando uma foto que faça com que as pessoas se perguntem por muito tempo que razões o levaram a tirar essa foto.


Certo, todos os fotógrafos amadores chegaram a obter "belas imagens", muitas vezes com a ajuda preciosa do acaso. Todos também, meio acidentalmente, perderam alguma foto. Em compensação, dominar a arte do fracasso não está ao alcance de todo mundo. Produzir bem fotos ruins pede experiência, rigor e método. É o que propõe o manual feito por Thomas Lélu utilizando cerca de sessenta "imagens escolhidas" – dedo na frente, foto queimada, foto fora de foco, cabeça cortada, foto de festa, olhos vermelhos – bem conhecidas por todos os fotógrafos e que ampliam com felicidade o campo do possível.

A redação

Manuel de la Photo Ratée (Manual da foto ruim), de Thomas Lélu, editora Léo Scheer, Paris, 2007.