Ministério das Relações Exteriores

Tahar Bekri: a poesia do universal

 

“ O exílio ajuda-nos a nos questionarmos, a criar novas exigências, a querermos ser bem compreendidos no país de acolhida (...) O essencial é dizer sua humanidade, participar da cultura universal”, escreve Tahar Bekri. Exilado na França desde 1976, na esteira das violências políticas que ocorriam em seu país natal, a Tunísia, esse professor universitário, que ensina literatura árabe, impôs-se como um dos poetas francófonos contemporâneos mais notáveis.

Ele é o autor de cerca de vinte coletâneas – Le Chant du Roi Errant (1985), Les Chapelets d’Attache (1993) ou ainda La Brûlante Rumeur de la Mer (2004) – cujos títulos inspiradores revelam as obsessões do escritor: a errância, a busca do outro, o Mediterrâneo e o golfo tunisiano de Gabes, ligados a lembranças de infância. Esse mar cujas ondas mesclam suas “veias às tintas emocionadas”, que Bekri canta, é também o mar da Bretanha que conheceu por causa de sua mulher francesa, originária dessa região. E cujas mitologias alimentam o imaginário deste poeta de inspirações plurais.

Dividido entre Gabes e Paris, entre Jalaluddin Rumi(1) e Baudelaire(2), Bekri propõe uma poesia do universal, tecida por correspondências entre o aqui e o ali.

 

Tirthankar Chanda jornalista

(1). Poeta persa (1207-1273).

(2). Poeta francês (1821-1867).