Diálogos franco-brasileiros: O futuro da terra em discussão
CAUSA E EFEITO – Em outubro, o tema escolhido foi “Catástrofes Naturais –Apocalipses Objetivos – ou Simples Fatalidades”.
Um assunto polêmico, mas que está na ordem do dia em nível global.
Em 2005 vários desastres assolaram a terra em todas as partes do planeta. Onda gigante na Ásia, terremotos no Japão, Irã, China, Índia, Paquistão, tufões nos Estados Unidos, Caribe e Brasil (Santa Catarina), queimadas e enchentes na Europa e por fim, uma seca sem precedentes na maior bacia pluvial do mundo: a Amazônia. Exceção à seca na bacia amazônica, todas as outras catástrofes deixaram um rastro de destruição e centenas de milhares de vitimas fatais. Mediante tudo isso, o tema escolhido para este mês nos debates Franco-Brasileiros que são realizados na Fnac Pinheiros mensalmente foi muito apropriado. Para abordar o assunto, o professor Waldir Mantovani, titular do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da USP, além dos jornalistas Marcelo Leite (Folha de São Paulo), Alessandro Mansur (Época), Annie Gasnier (Radio France Internationale) e Stéphane Casteran, adido de Imprensa no Consulado da França em São Paulo, que questionaram e bombardearam o palestrante sobre as causas, efeitos e políticas públicas sobre o assunto
Em sua exposição, o professor Mantovani lembrou que o clima da terra vem passando por aquecimento natural, mas que o homem é o grande vilão por potencializar o efeito estufa. No que se refere aos fenômenos, ele explicou que os efeitos paleoclimáticos (erupções de vulcões, afastamento das placas tectônicas e os dióxidos de enxofre emitidos pelos vulcões na atmosfera) também são causadores de catástrofes naturais. No entanto, os desmatamentos, os resíduos tóxicos lançados na atmosfera e a falta de políticas ambientais, são, em sua maioria os causadores de catástrofes. “Nossa sociedade não tem ética ambiental. O padrão de consumo é desastroso por parte da população da terra que usa e abusa dos recursos naturais do planeta. Nesse ritmo, o que vai acontecer são mais desastres seguidos de calamidades”, alertou o professor.
Questionado sobre o protocolo de Kioto e sua importância na contribuição para frear o aquecimento global do planeta, ele foi taxativo: “Mesmo que todos cumpram a risca o acordo, ainda assim o efeito estufa vai continuar”.